Homenagem ao Dudu
Eduardo Ferreira Filho - Dudu, funcionário, colega e amigo faleceu no último dia 24 de janeiro. Deixou saudades e boas lembranças.

Toda perda é triste. Mas quando as circunstâncias da vida tiram de nós pessoas que sempre foram “pra cima” e ajudavam a levantar o ânimo de todos, a perda é irreparável.
Eduardo Ferreira Filho era o nome do funcionário; Dudu era o nome do colega e amigo. Um sujeito que de pequeno só tinha a estatura – grandes olhos azuis, grande rapidez de pensamento, grande espiritualidade e enorme coração. Adorava a família e os filhos dos quais sempre falava com orgulho, mas tinha espaço para cuidar de um monte de outros na escola – era lanche para um, conselho para outro, dinheiro do próprio bolso para completar a condução de estagiário e até mesmo um sermão para quem merecesse. Não é toa que foi homenageado tantas vezes pelos alunos.
Era possível encontrar no Dudu características completamente opostas, mas que nele se combinavam de um jeito peculiar:
Impaciente com “gente burra”, era capaz de gastar uma tarde inteira ensinando um aluno ou professor a manejar equipamento do áudio; dava respostas ácidas a comentários descuidados, mas ouvia pacientemente desabafos e angústias. E ainda consolava. Sabia de tudo e todos e contava pra todo mundo, mas se você pedisse, guardava zelosamente uma confidência.
Reclamava o tempo todo. Da falta de recursos, de manutenção, equipamentos e pessoal (e com razão!), mas sempre dava um jeito de resolver os problemas (deles e dos outros). Teimoso que ele só, porém suscetível a um bom argumento e um jeito doce de falar. Vivia nervoso, mas não gostava de ver ninguém assim, então fazia a gente rir com alguma história ou observação engraçada.
É muito difícil falar sobre o Dudu no passado.
Mas é isso. Ele se foi, ou melhor, o Eduardo Ferreira Filho se foi. Dudu não. Ele fica. Lembranças não têm prazo de validade.
E a homenagem não seria completa sem a ajuda da poesia. Pedimos licença a Cecília Meireles e colocamos em suas palavras, todo nosso carinho:
Quando os homens na terra sofrerem
Sofrimento do corpo,
Sofrimento da alma,
Tu não sofrerás.
Quando os olhos chorarem
E as mãos se quebrarem de angústia
E a voz se acabar no rogo ou na ameaça,
Quando os homens viverem,
Tu não viverás.
Quando os homens morrerem na vida,
Quando os homens nascerem na morte,
Nem na vida nem na morte
Tu não morrerás.
MEIRELES, Cecília. Cânticos. 3 ed. São Paulo: Moderna, 2003, p.45 (Coleção Veredas)
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